terça-feira, 15 de novembro de 2011

Doce canção

Estou sentindo o cheiro da rua molhada pela chuva que marcou minutos incontestáveis nas calçadas retalhadas da cidade
É como se o relógio congelasse o tempo e um filme de aventuras passasse na lógica da mente
É como se som da minha música fosse mais alto que os carros que trafegam nas avenidas barulhentas
É como se o sorriso do meu rosto fosse maior que dos casais apaixonados das encostas
Olho o fim da tarde se aproximar como o horizonte nublado
Olho as luzes dos postes ascenderem uma a uma sem falhar
Continuo ouvindo o som de momentos que conseguem reescrever o que o destino não pode apagar
Ainda com o tempo parado ao meu favor, caminho quadrado por quadrado da calçada como quando era criança.
Tento caminhar no mesmo ritmo de todo resto
Vejo minha perna direita, perna esquerda, como uma dança cautelosa.
Estalo meus dedos como numa canção animada
Contagio-me com o cheiro das flores que cortam as calçadas
Fecho meus olhos e deixo que o vento do fim do dia me leve
Monto cena por cena que presenciei neste trajeto doce que alivia minha alma
Quando chega o refrão da minha música bato meus pés
Esqueço o mundo e começo a sapatear entre as esquinas lapidadas pela humanidade
Chegou a melhor parte da canção, quando sabemos que vai terminar e desejamos repetir
De alguma forma será diferente
Eu penso em repetir, em curtir, em aproveitar.
Eu balanço a cabeça, eu canto pra eles.
Eu balanço meu corpo, eu toco meu instrumento imaginário.
Chega à última frase e vejo minha vida resumida em lembranças
Eu falo letra por letra como soletrar uma frase de amor
Recordo minhas adoráveis fantasias
Relembro minha coletânea inteira
Quando a trilha chega ao ápice de fim eu consigo abrir os olhos
Eu vejo as alegorias da minha emoção
Eu vejo o meio fio pintado de branco
Eu vejo o espanto
Eu vejo você
Que ouviu meu canto!

Georgia Rossano Silva

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