domingo, 21 de agosto de 2011

O menino do chá em Adjara - Capítulo 1 continuação

Quando Mudaf partiu deixou seu coração endurecer pelo sofrimento da despedida e jurou não voltar atrás de sua decisão. Agafia desesperada e sem saber o que fazer abandonou sua casa e foi morar nos becos lapidados pelos confrontos entre o poder e a luta. Nas ruas encontrou o que podemos chamar de conforto aos seus vícios e suas perdas. Como não se alimentava e bebia muito, tinha aparência frágil e de pouco peso o que disfarçou durante seis meses a gravidez.

O sol já brilhava com sensação de primavera, Agafia descobriu que estava prestes a ter o bebê o que a incentivou a voltar para casa simples da família e tentar reconstruir o que suas próprias ruínas transformaram.

A religião é um aspecto importante para toda região de Adjara. Antes de sua independência os muçulmanos e sunitas marcavam a maioria, mas depois de 1989 o Cristianismo ganhou força e dividiu as comunidades. Hanna a senhora que criou Agafia quando seus pais morreram nas disputas territoriais, exigiu que voltasse para sua casa até dar luz à criança. Prezava a união da família e temia o amor ao seu Deus, do qual entregou sua vida.

Durante a estadia, Agafia quase não falava, sentia pena de si mesma, horror pelo caminho que escolheu e pensava num filho sem o pai como ela cresceu. Reescrevia dias que corriam sua mente em busca de respostas para indagações de um passado retratado em seu destino.

Sua mãe de criação, Hanna já não estava mais na flor da idade e sentia que sua luz interior estava se apagando aos poucos como uma vela, assim ela mesma chamava.

Georgia Rossano Silva

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