Ao abrir a porta vejo um rosto, rosto doce e sereno de uma criança querendo gritar sua insatisfação com o mundo
Eu sorrio para ele, ele responde com um sorriso tristonho, mas sincero...
Eu deixo a porta entre aberta, para que saiba que pode se refugiar mesmo com suas desilusões de menino
Continuo seguindo...
vejo uma rua com final distante, quase interminável, como se o mundo nunca fosse acabar,
então sonho com as montanhas da minha infância, que escondiam um universo perfeito nos meus sonhos
Eu olho para as pessoas sem que elas saibam,
Sei que estão pedindo socorro, não por elas, mas por todos
Sei que elas amam, perdoam, buscam e correm contra um tempo que nem sabem qual
Mas também, vejo rostos felizes, vejo alegrias contestadas nos sorrisos, vejo ternura e esperança
Eu sigo, sigo e sigo e sempre vejo rostos iguais no caminho, porque estou no mesmo horário
As pessoas me encontram como num desencontro, algumas balançam a cabeça, outras contentes dizem Bom dia! Outras desacanhadas de suas certezas dizem Olá! E algumas nem nos olham
Nunca mudo o meu caminho, porque gosto de ver diferente, mesmo que a rua seja a mesma, mesmo que as faces se repitam, eu não alterno passos, eu ando no mesmo ritmo, na mesma melodia, porque todos os dias há diferenças
As pessoas carregam as mudanças, o mundo é diferente a cada instante, ás vezes melhor ou não, mas todos os dias você descobre que apesar de dias insatisfeitos, é possível ter dias melhores
E então eu vejo porque o menino sorri na saída de casa, não pela esperança, mas porque nele vemos um mundo no seu avesso
Tornando possível ver dias felizes na inocência dos rostos.
Georgia Rossano Silva

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