As caras pálidas da rua que deixam seu rastro no asfalto
Quem passa e repassa todo dia os mesmos rostos e retratos
Quem anda o trajeto do tempo sem perceber os olhares distintos de seus significados
Nada se detecta pela face, mas pelo sorriso
E o repetir da rotina nos faz entender quem são as caras pálidas
Sentimos o adeus de alguns, quando nos damos conta de que nem vemos mais
Vemos o escuro quando enxergamos que atrás da máscara há lágrimas
Vemos o céu quando nos contagiamos pela alegria
Sabemos que muitos são enigmáticos e que poucos saem ilesos
Ilesos da dor, da culpa, da falta, da saudade
Ilesos de saber quem são
Caras pálidas que não sabem mentir, seu gesto diz tudo
Expressões que condicionam a questão de ser feliz
Mas quem são vocês são afinal?
O relógio não para e continuamos a nos encontrar, uma, duas ou mais vezes por dia
Nem sabemos por que estamos no mesmo caminho
Sabemos apenas que temos algo em comum
Na simplicidade do jeito
No dizer do pensamento
Somos caras sem rótulo
Somos nome sem sentido
Interpretações e intenções
Sozinhos e perdidos
Enfim
Somos as caras pálidas!
Georgia Rossano

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